quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Backhand com 1 ou 2 mãos? A BIOMECÂNICA explica !!!

Há oito anos, escrevi um texto no site Tenisbr@sil (http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-08.htm) abordando esta freqüente dúvida entre muitos tenistas. A partir deste texto, recebi muitos e-mails questionando sobre as vantagens e desvantagens de cada um dos dois tipos de backhand. Resolvi então pesquisar este tema, que fez parte da minha Tese de Doutorado, concluída em 2008, na Universidade de São Paulo.



Antes da década de 70, realizar um golpe de esquerda (backhand) com duas mãos era exceção, quase uma heresia. Este golpe nem era citado nos livros de tênis da época. Só passou a receber um pouco de atenção quando jogadores como Jimmy Connors, Chris Evert e Björn Borg começaram a ganhar importantes títulos golpeando o backhand com ambas as mãos.

Atualmente, é fácil verificarmos que grande parte dos tenistas profissionais adotaram o backhand com duas mãos. Apesar deste fenômeno ocorrer principalmente no tênis feminino, também vem ganhando força no masculino: 16 tenistas entre os 20 melhores do mundo (Ranking da ATP em 01 de Novembro 2010) utilizam o backhand com duas mãos. Apenas quatro tenistas utilizam o backhand com uma mão: Federer, Youzhny, Almagro e Ljubicic. Na mesma data, o Ranking da WTA apresenta apenas duas tenistas entre as 20 melhores que utilizam o backhand com uma mão: Schiavone e Henin.

Não podemos negar então, que o backhand evoluiu para duas mãos. Porém, ainda existem extensas discussões entre os técnicos sobre as vantagens e desvantagens de cada golpe. Infelizmente, estas dúvidas acabam se estendendo aos tenistas em fase de formação. Penso que a melhor maneira de tentar resolver esta dicotomia é buscar respaldo na Ciência que mais se aproxima às questões técnicas do tênis: a Biomecânica.

Assim sendo, apresentarei uma comparação entre os dois tipos de backhand, analisando 9 aspectos técnicos baseados em livros especializados e principalmente em estudos científicos. Apresentarei também, alguns resultados obtidos a partir da minha Pesquisa Científica.



ALCANCE – Talvez este seja um dos mais óbvios. Em bolas mais curtas ou laterais, quem utiliza o backhand com uma mão leva vantagem, pois terá a chance de realizar uma extensão total do cotovelo. Nestas situações extremas, o tenista que utiliza o backhand com duas mãos terá seu alcance reduzido devido ao posicionamento da mão não-dominante sobre o cabo da raquete, o que impede a extensão do cotovelo. A Foto 01 mostra esta diferença. Podemos concluir então, que para golpear o backhand com duas mãos, o tenista deverá se aproximar um pouco mais da bola. Além dessa maior distância a ser percorrida, golpear a bola utilizando-se do backhand com duas mãos, torna mais difícil o deslocamento do tenista em direção à bola, o que exige uma maior coordenação.
Foto 01 – Comparação do Alcance entre os dois Backhands.

ANGULAÇÃO - Quem utiliza o backhand com duas mãos tem maior facilidade em cruzar bolas com topspin, principalmente as mais curtas, pois contam com o auxílio do antebraço e punho não-dominante (Foto 02). Obviamente, esse auxílio não ocorre durante o backhand com uma mão.








Foto 02 – Auxílio do antebraço não-dominante
        no Backhand com 2 mãos.

APRENDIZAGEM – Incluiremos aqui alguns itens que são fundamentais durante a fase de aprendizagem do tênis: demanda de força muscular, coordenação motora e ponto de contato raquete-bola. Quanto à demanda de força muscular, o backhand com duas mãos é o golpe mais recomendado para tenistas iniciantes e/ou mais jovens. Distribui a sobrecarga sobre o sistema ombro/braço/antebraço/punho. Isso proporcionará maior estabilidade na cabeça da raquete no momento do contato com a bola, fase crucial do golpe. Quanto à coordenação motora, o backhand com duas mãos também apresenta vantagens, pois os segmentos corporais atuam de forma mais conjunta e não independente, como ocorre no backhand com uma mão. Além disso, o backhand com duas mãos não exige um ponto de contato tão à frente como o backhand com uma mão, permitindo ao tenista pequenos erros de timing, além de maior conforto por estar mais próximo ao corpo. Ainda, golpeando o backhand com duas mãos, o aprendiz terá menos dificuldades nas inevitáveis bolas altas, podendo utilizar também a mão não-dominante para auxiliá-lo.






Foto 03 – A aprendizagem do Backhand em crianças: 
           grande demanda de força muscular.

PONTO DE CONTATO – O ponto de contato com a bola durante a execução do backhand com uma mão, é aproximadamente, entre 20 e 30 centímetros mais à frente se comparado ao backhand com duas mãos. Esse é um fator complicador em bolas rápidas, pois a técnica com uma mão exige maior velocidade de movimento da raquete, caso contrário o contato será atrasado.
POSICIONAMENTO DOS PÉS - O aumento da velocidade da bola durante as trocas de fundo de quadra (rally) no tênis moderno, forçou os jogadores a utilizar a posição de open stance para golpear o backhand com duas mãos. Esta posição permite ao tenista executar o golpe mantendo os pés de frente para a rede, sem a necessidade de um passo de ajuste extra. A posição clássica (square stance) posiciona o tenista lateralmente, porém exige este passo de ajuste. Sob a perspectiva tática, o open stance facilita a recuperação do tenista em direção ao centro da quadra mais rapidamente, pois ao final do golpe ainda estará posicionado de frente para a rede. Mesmo em open stance, o tenista consegue executar a rotação do quadril e ombros para golpear a bola durante o backhand. Estas são importantes fontes de potência desta técnica. Os tenistas adeptos do backhand com duas mãos, podem utilizar os dois tipos de posicionamento dos pés, dependendo da situação tática. Por outro lado, o jogador que utiliza o backhand com uma mão, poderá realizar o open stance eficientemente apenas em algumas situações específicas. Exemplos: quando necessitar realizar a fase de preparação (backswing) curta, para golpear bolas altas com o apoio no pé esquerdo (destros) ou em devoluções de saque. Confira a diferença entre o posicionamento dos pés na Foto 04, abaixo:
Foto 04 – Maior facilidade em utilizar o Open Stance com 2 mãos.

PREPARAÇÃO DO GOLPE – O backhand com duas mãos demanda um menor tempo de execução da fase de preparação do golpe (backswing). O raio de giro é menor quando comparado ao backhand com uma mão. Os cotovelos podem ser mantidos mais próximos do tronco, facilitando a preparação.
Veja na Foto 05:







Foto 05 – Raio de giro durante a preparação do Backhand.

PREVENÇÃO DE LESÕES - Ao golpear o backhand com duas mãos, o choque gerado pelo contato raquete-bola é distribuído entre os dois braços, diminuindo as chances de lesões, principalmente no cotovelo.

SLICE e GOLPES ESPECIAIS – Geralmente, o backhand slice, o bate-pronto do meio da quadra e a curtinha (drop shot), são executados com a empunhadura (grip) continental, coincidindo portanto com a empunhadura da mão dominante durante a execução do backhand com duas mãos. Portanto, o tenista que utiliza o backhand com duas mãos não necessita trocar de empunhadura para realizar estes golpes. Isso é muito importante para esconder a jogada, o chamado disguise. Também é vantajoso durante a subida à rede, pois ao executar a bola de aproximação utilizando o backhand com duas mãos, o tenista não precisará trocar a empunhadura para os próximos golpes: voleio, smash ou bate-pronto. Vale ressaltar que tenistas adeptos do backhand com duas mãos, utilizam esta técnica para golpes chapados ou com topspin, e então, devem utilizar o backhand com uma mão para golpear com slice.  

VELOCIDADE DA RAQUETE – Essa é uma das variáveis mais significativas na geração de potência dos golpes. Mais uma vez, os adeptos da técnica de backhand com duas mãos levam vantagem. O menor raio de giro dos executantes desta técnica fornece maior velocidade angular da cabeça da raquete no momento do contato, e potencialmente maiores velocidades lineares no momento e após este contato. Ao golpear o backhand com duas mãos, o tenista utiliza mais as articulações do cotovelo e punho, que por serem menores, geram maiores velocidades.

RESULTADO DA COMPARAÇÃO: Ao final da análise comparativa, percebemos uma ampla vantagem do backhand com duas mãos, que apresentou vantagens em 8 dos 9 aspectos abordados.

Veja na Tabela abaixo, o resumo deste resultado:








Variável:
Backhand
1 mão
Backhand
 2 mãos
Alcance
Angulação
Aprendizagem
Ponto de Contato
Posicionamento dos Pés
Preparação do Golpe
Prevenção de Lesões
Slice e Golpes Especiais
Velocidade da Raquete

Apesar de a maioria das variáveis acima apontar maiores vantagens para o backhand com duas mãos, é interessante que o tenista em dúvida experimente as duas opões, para então tomar sua decisão. Aproveito para deixar algumas dicas de treino, qualquer que seja sua escolha:

Backhand com uma mão:
*  Procure fortalecer o antebraço e o punho. A musculatura destas regiões são muito solicitadas durante a execução deste golpe;
*  Treine rebater bolas altas, que sempre incomodam quem utiliza esta técnica;
* Faça treinos que desenvolvam seu tempo de reação, principalmente envolvendo trocas de empunhadura;
*  Procure abreviar sua preparação (backswing), principalmente durante a devolução de saque;

*  Faça drills para desenvolver sua cruzada curta com topspin, enfatizando a utilização do antebraço.

Backhand com duas mãos:
*  Procure fazer do seu backhand com duas mãos, um ”espelho” do forehand: a mão não-dominante deve descrever a mesma trajetória da mão dominante no forehand. Desta forma, você conseguirá utilizar melhor sua mão não-dominante, sobrecarregando menos os músculos do antebraço e punho.

PESQUISA CIENTÍFICA – Após quatro anos absorvendo conhecimentos na graduação, tive a chance de ingressar na área de pesquisa, através da pós-graduação. A grande diferença é a oportunidade em gerar conhecimentos para compartilhar com os profissionais da minha área. A seguir então, apresentarei resumidamente minha pesquisa científica sobre este tema.

Justificativas do Estudo:
· Backhand e Forehand são os golpes mais utilizados no tênis. Juntos, representam em média, 67% entre todos os possíveis golpes executados em um jogo;
· Poucos estudos abordam os aspectos biomecânicos do backhand;
· Utilizar os dados obtidos com este estudo para o auxílio do ensino da modalidade tênis.

Objetivo do Estudo:
O objetivo deste estudo foi descrever as características biomecânicas dos músculos relacionados à utilização de duas diferentes técnicas de backhand.

Hipótese Inicial:
A técnica de backhand com duas mãos demanda maiores contrações musculares para o movimento de rotação do quadril se comparada à técnica de backhand com uma mão.

Material e Métodos:
O estudo contou com a participação de 10 tenistas com pelo menos 10 anos de experiência, sendo 5 adeptos da técnica backhand com uma mão e 5 adeptos da técnica backhand com duas mãos. Todos os tenistas executaram os golpes de backhand monitorados por um aparelho chamado eletromiógrafo. Este aparelho registra a atividade elétrica presente no músculo em contração. Especificamente neste estudo, monitoramos o músculo eretor espinhal, um dos responsáveis pelo movimento de rotação do quadril, e conseqüente giro do tronco. Esta atividade foi registrada em duas fases do golpe: pré e pós contato raquete-bola. A FIGURA 06 mostra parte dos equipamentos utilizados: 
FIGURA 06 – Equipamento de Eletromiografia (EMG)

Resultados: O músculo eretor espinhal apresentou maiores ativações durante a execução do backhand com duas mãos. Esta diferença foi evidenciada na fase pós-contato, devido à maior rotação do quadril característica desta técnica. A rotação do quadril na fase pós-contato se deve à condução do braço não dominante à frente.

Conclusão:
Os resultados confirmam a hipótese inicial, confirmando que a técnica de backhand com duas mãos exige maiores contrações musculares para o movimento de rotação do quadril.

Referências Bibliográficas:

AKUTAGAWA, S.; KOJIMA, T. Trunk rotation torques through the hip joints during the one- and two-handed backhand tennis strokes. Journal of Sports Sciences, v.23, n.8, p.781-793, 2005.
 
BRAGA NETO, L. Características dinâmicas e eletromiográficas do forehand e backhand em tenistas. 2008. 246f. Tese (Doutorado) - Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo.

ELLIOTT, B.C.; MARSH, A.P.; OVERHEU, P.R. The topspin backhand drive in tennis: a biomechanical analysis. Journal of Human Movement Studies, n.16, p.1-16, 1989.

GIANGARRA, C.E.; CONROY, B.; JOBE, F.W.; PINK M.; PERRY, J. Electromyographic and cinematographic analysis of elbow function in tennis players using single and double handed backhand strokes. American Journal of Sports Medicine, v.21, n.3, p.394-99, 1993.

REID M.M. The backhand – which one (or two) to use? 2006. Disponível em: <http://cis.squirming.net/category/tennis/184/>. Acesso em: 14 fev. 2006.

WEI, S.H.; CHIANG, J.Y.; SHIANG, T.Y.; CHANG, H.Y. Comparison of shock transmission and forearm electromyography between experienced and recreational tennis players during backhand strokes. Clinical Journal of Sports Medicine, v.16, n.2 p.129-135, 2006.

Agradecimento:

Gostaria de prestar uma sincera homenagem ao maior conhecedor desta maravilhosa Ciência – Biomecânica – meu sempre orientador Prof. Dr. Alberto Carlos Amadio.

Repetirei então meus agradecimentos que estão registrados em minha Tese de Doutorado:

“Agradeço ao Professor e sempre Amigo, Alberto Carlos Amadio, por sempre acreditar que minha experiência com o Tênis deveria ser submetida à Ciência. Obrigado pelas constantes demonstrações de sabedoria e humildade”.




21 comentários:

  1. Apesar de concordar, a plástica da esquerda com uma mão é bem mais bonita. São movimentos mais harmoniosos, de técnica mais apurada, exige maior precisão. Enquanto que com duas mãos é um movimento mais atarracado, preso, feio, embora mais eficiente. Sou adepto da primeira opção e não pretendo mudar.
    Abraços Prof. Ludgero

    Amauri Campos

    ResponderExcluir
  2. Tarcisio Cesar - 50ma25 de novembro de 2010 04:45

    Excelente trabalho.
    Parabéns.

    ResponderExcluir
  3. Julia.

    Parabéns, esse é um tipo de estudo muito interessante e que colabora com a melhora no processo de desenvolvimento e, consequentemente, do desempenho do atleta.

    ResponderExcluir
  4. Oi Ludgero,
    Achei muito bacana a sua abordagem. Estava agora a pouco na biblioteca do meu campos (Estácio de Sá BH - Buritis) e percebi que não há literaturas sobre o tênis em nenhum contexto. Quando li o seu e mail fiquei satisfeito e motivado a estudar mais e criar abordagens desse tipo.
    Parabéns! Espero um dia poder ir conhecer seu trabalho mais de perto e cooperar mais com nosso esporte.
    Abraço.
    Bruno Vieira

    ResponderExcluir
  5. eu acredito que um dos fatores principais que levam ao back 2 mão ser mais utilizado atualmente é a velocidade e potencia do jogo atual.
    é este o principal fator que leva o jogador a preferir o back 2mão. Mas o back 1 mão ja diz que o jogador, qualquer que seja seu nível, tem um pouco mais de habilidade e capacidade que o jogador de 2 mãos... abraço

    ResponderExcluir
  6. mto bom o post meu tcc inclusive foi sobre lesões no cotovelo e o backhand era um dos golpes que mais apareciam na pesquisa.

    ResponderExcluir
  7. Olá

    Professor, gostei muito deste post, hoje tenho aula de Tênis e passarei o endereço para meu professor dar uma olhada e repassar experiências para seus alunos.
    Utilizo o backhand com duas mãos, minha principal dificuldade é a chegada para golpear bolas laterais longas, as vezes tenho que improvisar com uma mão.

    Ass.
    Ricardo.
    Içara-SC

    ResponderExcluir
  8. Realmente a velocidade/potência do tênis moderno vem fazendo a diferença e por isso o backhand de duas mãos tem sido a escolha dos técnicos de seus jogadores que começam a jogar com 4 ou 5 anos....o esporte está cada vez mais precoce e isso deve também ser levado em conta.
    Mas casos como o de Federer e o nosso Guga? difícil alguem ter um backhand de duas mãos tão eficiente quando o dele de uma, né? Federer é o melhor de todos e em 2010 quebra todos os conceitos e estudos...
    Concordo sim que o backhand de duas mãos está cada vez mais dominando o circuito profissional devido a algumas vantagens comprovadas nesse post, mas a teoria não condiz com a prática pois de 9 ítens apenas 1 favorável para o Bckhand de uma mão? só se todos indivíduos fossem da mesma capacidade motora como robôs. Muito bom este tópico para debatermos idéias e melhorarmos cada vez mais nosso esporte/trabalho.
    abraço
    paulorubira@hotmail.com

    ResponderExcluir
  9. Muito bom. Parabéns pelo seu trabalho. Vou ajudar a divulgar seu site. Obrigada.

    ResponderExcluir
  10. excelente trabalho!! a clareza das características biomecânicas atuantes em ambas técnicas de esquerda(com uma mão e com as duas mãos)são de suma importância para para todos atuantes desta modalidade e principalmente para aqueles profissionais da área do tênis. Contudo mais pesquisas como esta devem surgir para que tenhamos uma clareza nos fatos abordados nesta.

    ResponderExcluir
  11. Já li muitas matérias sobre o assunto, mas nenhuma tão esclarecedora. Parabéns Ludgero por mais um belo trabalho. Vanderley Mezari (Curitiba - PR).

    ResponderExcluir
  12. Olá caro amigo Ludgero,

    Parabéns pelo post sobre o "Revés", mas sempre que leio artigos nesse sentido me seguro para não opinar até para não desestimular ou de certa forma pensarem como uma critica negativa. Mas sei que você é uma pessoa super atualizada e coerente no que escreve, portanto segue abaixo meus comentários:

    Importante sempre quando escrever artigos especificar os comentarios e dicas para cada nível específico do tenista, pois para cada etapa existe uma progressão e "técnicas" de como fazer determinado golpe, aqui estamos falando do revés.
    Vejo que a grande falha dos treinadores é querer ensinar técnicas avançadas a jogares iniciantes ou intermediarios, claro que não é por maldade e sim por ansiedade em querer ensinar seus alunos a fazerem o que os grandes jogadores fazem, pois normalmente o técnico assiste esses modelos avançados na TV, e ali ele "peca" e muitas vezes frusta seus alunos pois jamais conseguirão fazer o que os grandes tenistas fazem, pois se fizessem também seriam grandes, concorda!

    1) - "Bolas Curtas"

    - Penso que normalmente quando o tenista se desloca para uma bola curta é necessário observar o nível dos jogadores, mas se ele chegar na bola mau ele não vai golpear e sim tocar a bola, digo que ele alcança a bola, portanto ele fará com uma mão independente se bate com duas ou uma mão, pois é uma situação de "emergência".

    Segue...

    ResponderExcluir
  13. 2)- "Angulação"

    - De certa forma concordo descordando do seu ponto de vista que duas mãos é mais fácil angular que com uma mão, veja que se fosse fácil angular, estariamos vendo jogos de muito "angulinho" mas não tenho visto tenistas explorarem esse aspecto nos jogos,e como você mesmo comenta que dos 20 melhores 16 jogam com duas mãos.
    - Temos que pensar que é possível sim executar e com facilidade os angulinhos com uma mão, o problema é que nós professores não estimulamos nossos alunos a praticarem. Agora o mais importante para executar um bom ângulo é necessário habilidades de recepção e cai entre nós quase não vejo professores estimulando essa importante habilidade, pois a maioria das aulas que vejo ainda são na maior parte, aulas a base de lançamento de cesto, ou seja, estamos estimulando as habilidades de projeção, treinos muito previsíveis.

    3)- "Aprendizagem"

    - Esse tópico poderia gerar uma bela discussão e tema para um curso de uma semana...kkk. Mas sempre penso, porque os professores normalmente "impõem" aos alunos iniciantes aprenderem a jogar com duas mãos???
    Acho que a resposta é mais ou menos como citei acima, porque 16 tenistas entre os 20 melhores do mundo jogam com duas, portanto a maioria dos professores ensina o que eles vêem. E ai caem na tremenda armadilha do ensino, vamos ter muito mais tenistas com duas mãos e deixo aqui uma pergunta, porque a maioria dos tenistas de hoje estão golpeando com duas mãos? será que é porque na decada de 90 víamos Agassi, Jim Courier e a grande divulgação do método Bolletieri da época inclusive aqui no Brasil com aqueles cursos relâmpagos de 1 ou 2 dias com videos super bem editados fantasiando as cabeças dos inocentes professores. Ali ensinavam as técnicas e treinamentos de jogadores avançados, alias dos melhores do mundo para professores de alunos iniciantes, adivinha o que os professores ensinavam depois de assistirem esses cursos aos seus alunos, muito revés de duas mãos....rs e pior aplicavam e ainda aplicam as técnicas dos avançados para os iniciantes. Se pensarmos que os melhores tenistas de hoje tem uma média de idade aproximada de 24 anos, esses tenistas na decada de 90 tinham aproximadamente 10 e 12 anos em 1995 e 1997, idade que aprenderam a jogar tênis e é de se pensar que seus professores também tenham sido bombardiados pelos sistemas Bolletieri.

    ResponderExcluir
  14. - Agora temos que repensar a forma de ensinar tênis estimulando nossos alunos a aprenderem a bater com uma mão, mesmo porque na iniciação o jogo não é veloz, não irão golpear e sim tocar, não jogarão de longe e sim de perto (mini-tênis), deveriam não jogar com bolas oficiais e sim com as mais lentas (hoje temos as bolas laranja e verde do play stay) que facilitam enormemente o aprendizado, alias não deveriam jogar com raquetes oficiais e sim menores e mais leves( até mesmo os adultos).
    - Quanto a questão do fortalecimento do ante braço, naturalmente ele vai se fortalecendo se desde a iniciação ele bater com uma mão, passando pelas progressões citadas acima, da bola macia para a mais pesada, da bola lenta para rapida, da raquete pequena e leve para maiores e mais pesadas, de jogar de perto para ir afastando gradativamente até o fundo para mais longe, ele vai "fortalecendo" porque é estimulado desde o primeiro momento que entra numa quadra, e penso que o movimento de uma mão é muito mais agradavel e natural em função de ser um golpe linear e não de rotação como é o golpe de duas mãos.
    - Outro detalhe extremamente importante e não citado por você em seu tópico nas vantagens e desvantagens é que o jogador que aprende a jogar com duas mãos ele normalmente não sabe jogar com slice e consequentemente não sabe executar um drop ou até mesmo camuflar esse drop, tem sérias dificuldades, sem comentar no voleio de revés que não tem força, habilidade e alcance para jogar na rede e cobrir ou golpear seu voleio de revés, imagine o "smash de revés" ou voleio de revés alto!

    - A questão comentada por você sobre o revés e a direita que são os golpes mais executados no jogo, você comenta que 67%, temos que tomar cuidados ali, concordo que golpeamos mais direitas e esquerdas mas "não da mesma forma"!!!
    Durante o jogo uma direita ou um revés nunca se repetirá numa partida, porque a bola que você recebe de seu adversário nunca vem do mesmo jeito!
    O golpe mais executado no jogo "igual" durante uma partida é o saque. Agora se golpeamos mais vezes direitas e esquerdas de formas diferentes, porque ainda vemos professores ensinando a maior parte de uma aula "as direitas e esquerdas" da mesma forma, na mesma altura, com lançamentos previsíveis se na hora do jogo ele não vai golpear nenhuma vez como praticou nessa aula???

    Enfim caro Ludgero, temos para pensar!

    Um forte abraço.

    Jorge Delnero.
    http://www.jorgedelnero.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  15. Além de um estudioso, técnico com uma prática que já ultrapassa a marca de 20 anos de experiência, você consegue transmitir os conceitos e conhecimentos científicos, muitas vezes quase ininteligíveis, para uma linguagem acessível, sem contudo perder o critério metodológico inerente à Ciência!!!
    O Tênis Brasileiro carece de Profissionais como você!!!
    Parabéns!!!
    Continue.....
    Obrigado!
    Carlos Eduardo - BH

    ResponderExcluir
  16. Comecei a jogar tênis depois dos 40 anos (tenho 57) e inicialmente adotei o BH1 porque quase todos jogavam assim. Depois de alguns anos troquei para o BH2, fiquei surpreso com a maior facilidade para jogar. Acho incompreensível alguém defender o BH1 contra todas as evidências, a mais indiscutível de todas sendo a porcentagem continuamente crescente de praticantes. Só pode ser saudosismo estilo LP de vinil, galochas, raquetes de madeira, e outras coisas que sumiram das nossas vidas. Nos comentários mencionaram também a estética do golpe de backhand. Vendo o Bellucci jogar contra o Marcos Daniel, acho infinitamente mais bonita a 'esquerda' do nosso top 30. Parabéns pelo artigo, excelente, e obrigado pela sua contribuição ao nosso tênis.

    ResponderExcluir
  17. Fico satisfeito e contente em
    saber que meus alunos tem consciência
    disso tudo. Obrigado por colaborar com
    nosso Trabalho Professor Ludgero.
    Abraço.
    Luiz Gustavo Bernardo Frey

    ResponderExcluir
  18. Obrigado Cara issu esta me ajudando muito,
    Gostei do seu site, isso e uma boa aula
    e ainda nem precisei pagar rsrsrsrs.
    obrigado estarei atento ao seu site
    e vi que algumas fotos você esta na slice
    tennis no alphaville eu moro no 3 e de vez
    enquando vou com meu irmao la em baixo no paredão, perto da chgurrasqueira :D.
    mais uma vez obrigado.

    ResponderExcluir
  19. Grande Ludgero,
    A plasticidade do backhand de uma mão é maravilhoso, só que é para poucos, vamos lembrar então ; Edberg,Sampras, O eterno GUGA,
    emfim é notável ver tenista executando este golpe, ainda nas bolas curtas ter mais habilidades para fazer aproximação eficiente.
    grande abraço,
    Jose Sousa Lacerda - instrutor de tenis

    ResponderExcluir