sábado, 28 de agosto de 2010

Novo Desafio Profissional: Coordenação do CEREQ, no Clube Esportivo HELVETIA.


Há três meses fui convidado pelo Sr. Marcos Cardone, diretor de tênis do Clube Esportivo Helvetia, a assumir o cargo de Coordenador Técnico do CEREQ (Centro Especializado em Rendimento Esportivo e Qualidade de Vida). Aceitei o convite, e após algumas reuniões, definimos dois objetivos inovadores em relação ao cenário do tênis competitivo infanto-juvenil:

Descentralização - dividir as ações referentes aos Métodos de Treinamento entre os profissionais que integram a Equipe Técnica;

Interdisciplinariedade - administrar a relação entre as diferentes disciplinas que compõem o tênis.

A seguir, justifico cada um desses objetivos:

DESCENTRALIZAÇÃO - Após 20 anos treinando tenistas infanto-juvenis, percebo que muitos talentos são descartados por culpa de uma postura centralizadora que muitos técnicos assumem. Não seria exagero dizer que aproximadamente 80% dos técnicos que conheci em clubes e academias agem desta forma. Criam uma relação de posse com "seus tenistas", e acabam por inibir o desenvolvimento destes. Julgo esta postura extremamente egoísta, ainda mais se levarmos em conta que o técnico já tem sua profissão definida, o tenista infanto-juvenil não, está buscando. Defendo uma abordagem desenvolvimentista, onde o tenista tenha condições de desenvolver suas potencialidades através da diversidade e complexidade de estímulos, ao invés de ficar fechado dentro de um método engessado, com poucas variações.

É função do técnico viabilizar as condições para que o tenista se desenvolva através de estímulos variados. Exemplifico algumas ações que facilitam este desenvolvimento:

Parceiros de Treino - é muito importante treinar com parceiros variados. Desta forma, cada um apresenta um estilo de jogo, alguns batem com mais topspin, outros pressionam subindo à rede, e também terá aquele que só vai passar a bola para o outro lado da rede e esperar você errar. Seu poder de adaptação diante de várias situações será maior. O tenista aprenderá a resolver problemas táticos com maior rapidez.

Categoria Adequada - percebo que alguns técnicos mantêm seus tenistas por muito tempo em categorias inferiores, apenas para continuar a ganhar torneios e se manter entre os melhores do ranking. Em todas as áreas precisamos de estímulos mais desafiadores para buscar um nível técnico mais alto.

Programa Intensivo de Treinamento nas Férias - também é importante ouvir outras opiniões e vivenciar novas experiências. O período de férias significa uma boa oportunidade para isso, participando de programas intensivos de treinamento (clínicas). Optar por um programa onde ocorre um intercâmbio entre tenistas e técnicos pode trazer muitos benefícios ao tenista. Nenhum técnico sabe tudo sobre todos os aspectos que envolvem o tênis. Fazer novas amizades, sair da rotina, lidar com novas situações... são estímulos essenciais para o desenvolvimento técnico e pessoal do tenista.



  EXEMPLO NEGATIVO - quando sou contratado para fazer uma Análise Biomecânica em Vídeo, solicito a presença do técnico para acompanhar o tenista. Esta presença é muito importante por 2 motivos:

  • o técnico já conhece o tenista e então poderá opinar nas decisões sobre as mudanças técnicas;
  • o técnico é quem dará continuidade ao trabalho após a Análise. 
Porém, não foram raras as vezes em que o técnico, quando soube da Análise, proibiu o tenista de realizá-la, mesmo sem ter conhecimento sobre os procedimentos. Resultado: na maioria das vezes o tenista acabou realizando a Análise mesmo sem a presença do técnico.


EXEMPLO POSITIVO - Por outro lado, gostaria de citar um exemplo de ação descentralizadora e portanto muito importante para o desenvolvimento dos tenistas. Tenho incentivado o intercâmbio entre tenistas e técnicos na Academia Slice Tennis. Como resultado prático desta ação, cito alguns  tenista/técnicos/instituição que treinaram aqui em Alphaville nos últimos meses:

  • Thomaz Bellucci / João Zwetsch (Koch Tavares);
  • Thomaz Takemoto / Batata (Koch Tavares);
  • Juliana Bacelar / Gonçalo Fischer (Instituto Tênis);
  • João Pedro Leme / Ricardo Pereira (particular);
  • Nathália Rossi / Ludgero Braga Neto (Slice Tennis);
  • Gabriel Wanderley / Marcelo Fonseca (particular);
  • Renato Santos / Bolha (THK);
  • Pietro Jordão / Ludgero Braga Neto (Clube Helvetia);
  • Alexandre Tsuchiya / Wilson Bosso (particular); 
  • entre outros.
INTERDISCIPLINARIEDADE - já faz algum tempo que o termo multidisciplinar é utilizado nos centros de treinamento. Este termo procura denotar que o treinamento é abordado sob vários aspectos inerentes ao tênis: técnica, tática, condicionamento físico, fisioterapia, nutrição, medicina esportiva, entre outros. Porém, entendo que a questão crucial é a interligação entre estas disciplinas, o que é chamado de interdisciplinariedade. E este é o nosso grande desafio!!! Na prática, o que noto é apenas uma pequena comunicação entre o técnico e o preparador físico. Interdisciplinariedade é muito mais que isso. Exige um árduo trabalho de interligação, envolvendo todos os profissionais, através de reuniões periódicas. Um exemplo: o nutricionista deve saber que em determinado período o tenista vai trabalhar resistência durante os treinos físicos, desta forma poderá prescrever uma dieta com um maior aporte de carboidratos.
Tenho discutido este tema com Rafael Pacharoni, técnico da Equipe Competitiva Infanto-juvenil do Esporte Clube Pinheiros e grande crítico dos métodos de treinamento utilizados no tênis brasileiro. Compartilhamos da mesma opinião em relação à necessidade desta quebra de paradigma. Resumindo: a multidisciplinariedade não será útil ao tenista se não houver uma eficiente  interdisciplinariedade.


ESTRUTURA FÍSICA - o clube Helvetia possui 6 quadras de saibro, fitness, piscina, espaço para fisioterapia, sala de análise biomecânica em vídeo e sala de estudos. 

EQUIPE DE PROFISSIONAIS DO CEREQ - para colocarmos em prática os conceitos de Multidisciplinariedade e Interdisciplinariedade, contamos com a seguinte equipe:
  •  Maurício Fonseca - Supervisor Geral e Preparação Física;
  •  Ivan Maziero - Preparação Física Preventiva;
  •  André Watanabe - Head Coach;
  •  Gilmar Mattos - Técnico;
  •  Marcelo Nascimento - Técnico;
  •  Marcelo Pezão- Fisioterapeuta; 
  •  Rodrigo Falcão - Psicólogo;
  •  Dr. Rogério Teixeira - Médico;
  •  Camila Homsi - Nutricionista;
  •  Célia Lamarca - Tutoria Pedagógica e Reforço Escolar.
PARCERIA SLICE TENNIS / HELVETIA - a primeira ação efetiva para fortalecer os conceitos de Descentralização e Interdisciplinariedade foi estabelecer uma parceria entre a Academia Slice Tennis (Alphaville) e o Clube Helvetia. 

Esta parceria permite uma saudável troca de informações entre os profissionais e de experiências entre os tenistas, além de complementar a estrutura funcional de cada integrante. Alguns exemplos:
  • os tenistas que treinam no Helvetia poderão utilizar as quadras da Slice Tennis. As quadras rápidas em véspera de competições neste piso e as quadras cobertas em dias de chuva;
  • os tenistas que treinam na Slice Tennis poderão utilizar os serviços de Medicina Esportiva e Fisioterapia prestados pelo NEO (Núcleo de Estudos em Esporte e Ortopedia), coordenado pelo Dr. Rogério Teixeira;
  • o calendário de torneios já está unificado. Isso quer dizer que em todas as competições (FPT, CBT, COSAT e ITF) os tenistas e técnicos estarão interagindo e se ajudando.
ENCONTROS ENTRE TENISTAS E TÉCNICOS - periodicamente serão realizados encontros entre os tenistas e integrantes da Equipe Técnica. Semana passada já ocorreu o 1o encontro entre os tenistas. Foi realizado no Clube Helvetia, e serviu como preparação para a Copa Guga Kuerten, realizada em Florianópolis.

1o Encontro de Tenistas - Slice Tennis / Helvetia - 20/Agosto/2010
Jogos preparatórios para Copa Guga Kuerten

Também já está agendado o 1o Encontro de Treinadores. Será realizado na Slice Tennis, no dia 04 de Setembro. 

42 TENISTAS INTEGRANTES - Abaixo, segue a relação de todos os tenistas que integram a Equipe Slice Tennis/Helvetia:


Em breve escreverei sobre os resultados da Equipe no mês de Agosto.

Abraço a todos...



sábado, 7 de agosto de 2010

Depoimento de THOMAZ BELLUCCI sobre Análise Biomecânica em Vídeo


Semana passada, enquanto acompanhava a tenista Nathália Rossi durante o Challenger de Campos do Jordão, fiquei surpreso ao receber um e-mail do Thomaz Bellucci, expressando sua opinião sobre a Análise Biomecânica em Vídeo:

“Na minha opinião, a Análise Biomecânica em Vídeo é uma ferramenta muito importante no tênis atual. É uma tecnologia muito útil na fase de construção e aprimoramento dos golpes. Pode ser aproveitada na fase de desenvolvimento dos golpes ou na reconstrução de um golpe deficiente. Como tenista, penso que é fundamental o jogador fazer esta análise com frequência, para que consiga visualizar melhor a sua evolução”.
THOMAZ BELLUCCI (Julho 2010)

Tive a oportunidade de trabalhar com o Thomaz em duas ocasiões. No final de 2005 realizamos a primeira Análise Biomecânica em Vídeo. Enfatizamos as correções do Saque. Lembro que apesar de ter uma boa estatura, não utilizava adequadamente a base (flexão/extensão dos joelhos). 

Dois anos depois fui procurado novamente pelo Thomaz, e fizemos uma pré-temporada de 20 dias. Além do Saque, desta vez tivemos tempo para trabalhar os golpes de base (ênfase no forehand) e voleios. Foi uma experiência muito positiva, principalmente pelo interesse e postura em quadra do Thomaz.

Há dois meses, recebi um depoimento tão gratificante quanto este do Thomaz. Partiu  de um simpático casal de ex-alunos, descrevendo um episódio que até então não tinha conhecimento:  

"Ludgero, lembro-me perfeitamente qdo fazíamos aula contigo. Numa delas vc me filmou e deixou a fita para que eu pudesse apreciar a minha desastrosa performance. E quando a minha filmagem terminou, nós vimos em seguida o que estava na sua fita, um aluno seu treinando saque. Ele sacava muito bem, sacando aberto... sacando fechado... sob o comando que era dado pela sua voz ao fundo. Esse aluno nós nunca tinhamos visto e nem sabíamos quem era. Era simplesmente o Bellucci".
WILSON e MADALENA KAKUTA (Junho 2010)

Fico orgulhoso de ter participado do desenvolvimento de um tenista que atualmente defende nosso País e mostra para o resto do mundo que, mesmo sem estrutura e organização adequadas, nosso Tênis pode se destacar.