sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ludgero ministrará Palestra em Curso para Técnicos durante Rio Champions

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    Confirmado. Aceitei com prazer o convite para palestrar no I Simpósio Internacional do Rio de Janeiro. Fui privilegiado em abrir o Simpósio, na sexta-feira (12 de Março), às 9 horas. Também estou feliz pois desta vez ganhei mais espaço: vou ministrar duas Palestras, uma no auditório e outra em quadra. E que quadra! Será uma quadra de carpete montada no Maracanãzinho!!

   O Simpósio será realizado durante o Rio Champions, competição que reunirá ex-líderes do Ranking da ATP (Marat Safin, Jim Courier e Mats Wilander) e outros grandes tenistas (Cedric Pioline, Wayne Ferreira, Mark Philippoussis, Fernando Meligeni, entre outros). O evento ainda contará com a participação de Gustavo Kuerten no concorrido Kid´s Day
    O tema da minha Palestra será "Biomecânica Aplicada ao Tênis". Na parte teórica explicarei as 3 principais fontes de potência dos golpes: Força de Reação do Solo, Momento Linear e Momento Angular. Depois, já em quadra, discutirei com os técnicos presentes como estas  fontes de potência podem ser aplicadas ao saque, forehand e backhand. Ainda terei tempo de exemplificar alguns dos erros técnicos mais comuns entre os tenistas e  possíveis estratégias para correção.
    Após o Simpósio farei um post com o conteúdo da Palestra e com as fotos.

    Segue o link para o site do Rio Champions:        



Abraço a Todos.

Ludgero.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Análise Biomecânica dos Golpes Básicos do Tênis


A partir de hoje vou iniciar uma extensa Análise Biomecânica dos golpes básicos do Tênis: saque, forehand, backhand com 1 mão e backhand com 2 mãos. Juntos, estes golpes representam 82,2 % dos golpes utilizados durante uma partida entre tenistas de elite (COSTA, 1998). O primeiro golpe analisado será o Saque, até mesmo porque é com ele que iniciamos os pontos durante um jogo.

Para fins didáticos, cada golpe será dividido em 6 fases. Para cada fase analisarei aproximadamente 5 itens técnicos. Teremos então 30 itens analisados por golpe, chegando a 120 dicas técnicas para os 4 golpes!!!

Os estudos que envolvem tênis e biomecânica investigam basicamente três aspectos: desempenho técnico, estresse físico e equipamentos. O presente estudo enquadra-se na melhora do desempenho técnico, o qual é entendido por GROPPEL (1986) como sendo a melhor maneira de aumentar a potência dos golpes sem lesionar o executante.

Espero que a partir da leitura destas Análises, vocês consigam entender melhor cada fase dos golpes, potencializando as horas que passam treinando/jogando. É o que chamo de “Treinar com Informação Prévia”. Exemplifico isso contando o caso do garoto esforçado que todo dia após o treino ficava na quadra para treinar mais saques. Apesar de seu esforço, sua técnica era deficiente, prejudicada por um toss (levantamento da bola) muito para trás, impedindo-o de utilizar eficientemente o peso de seu corpo para frente, em direção ao seu alvo. O garoto treinou bastante, mas infelizmente "treinou seu erro", e perdeu tempo. Por isso teorizo sobre “Treinar com Informação Prévia”.

Gostaria ainda de comentar como foi formada a base técnica para esta Análise Biomecânica. Utilizei duas fontes: A Biomecânica Qualitativa e a Biomecânica Quantitativa. Vamos discutir um pouco cada uma delas:

BIOMECÂNICA QUALITATIVA – é também chamada de Biomecânica Prática. Leva em consideração a experiência prática de importantes técnicos, comentaristas e demais experts em tênis. Estas pessoas escrevem na Revista norte-americana TENNIS (www.tennis.com), especificamente na sessão “The Great Shots”. Cada mês um jogador é escolhido e tem um determinado golpe analisado. Este golpe é mostrado em fases que variam entre 4 e 10 fotos e o escritor relata suas observações para cada fase. Esta Análise é de grande importância, pois revela o ponto de vista de nomes como: Nick Bollettieri (ex-técnico de Andre Agassi, Jim Courier, Boris Becker, Monica Seles, entre outros), Paul Annacone (técnico da Equipe Britânica da Copa Davis), Robert Lansdorp (ex-técnico de Pete Sampras), Tracy Austin (comentarista da BBC) e Jimmy Arias (comentarista do Tennis Channel). Portanto, para levar em conta a Biomecânica Qualitativa, compilei as informações de vários artigos “The Great Shots”, retirados de aproximadamente 80 exemplares que guardo com carinho em minha sala. Cada mês lia as considerações dos especialistas e anotava os itens mais citados. Só faltava explicar o porquê de cada um desses itens. Foi então que a Biomecânica Quantitativa me ajudou. A Teoria se fazia necessária.

BIOMECÂNICA QUANTITATIVA – é também chamada de Biomecânica Teórica. Leva em consideração os resultados de estudos científicos, seguindo determinados rigores acadêmicos. Nesta Biomecânica, a frase “eu acho” não tem vez. É necessário demonstrar, seja com gráficos ou fórmulas. Vou dar um exemplo através de um estudo que realizei durante meu Mestrado. Precisava demonstrar que a técnica Foot-up (saque onde o tenista aproxima os pés durante sua execução) exigia maior força na fase do ciclo flexão/extensão dos joelhos se comparada à técnica Foot-back (saque onde o tenista não aproxima os pés durante sua execução). Precisei então, utilizar um instrumento de medição chamado Plataforma de Força, que mede a Força de Reação do Solo. Desta forma consegui demonstrar minha teoria. Confira como o experimento foi realizado:

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Desta maneira, foi possível fazer o link entre Teoria e Prática.
A partir do próximo post então, a Análise Biomecânica dos Golpes Básicos do Tênis será iniciada. Espero que estes textos e dicas sejam úteis, e estou à disposição para dúvidas, discussões e críticas.

Até a próxima... 


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Ludgero se reúne com Emilio Sanchez em Alphaville

         Nesta segunada-feira (08/02) tive o prazer de conversar com um dos técnicos mais importantes do tênis na atualidade: Emilio Sanchez. A reunião aconteceu durante um almoço, em Alphaville. Nosso encontro foi intermediado pelo empresário e grande amante do tênis José Salibi Neto. Ele está sempre disposto a apoiar nosso tênis, desde projetos voltados para o trabalho de base até tenistas promissores em fase de transição para o profissional. Fiquei surpreso quando o Salibi me telefonou e disse: “O Emilio Sanchez quer te conhecer!”.

        O Emilio foi contratado pela CBT para o cargo de Coordenador do tênis brasileiro. Muitos estão questionando por que a CBT traria um espanhol para ocupar tal cargo. Tenho acompanhado várias discussões em blogs de tênis que tratam deste assunto. A impressão que tenho sobre o Emilio é que capacitação para executar esta tarefa ele tem. Foi um excelente jogador (n. 7 em simples e n. 1 em duplas), e possui ampla experiência como líder e administrador: conduziu a equipe espanhola da Copa Davis ao título em 2009 e é proprietário de um dos mais respeitados centros de treinamento do mundo. O que muitos estão questionando é se Emilio terá tempo e dará prioridade para o tênis brasileiro. Só o tempo dirá!

          Voltando ao assunto da reunião... O Emilio quis me conhecer porque soube da minha pós-graduação em Biomecânica e também porque eu havia trabalhado com o Thomaz Bellucci e com o Ricardo Hocevar. O que ele não sabia é que um dos textos que me despertou a curiosidade em estudar Biomecânica foi escrito por ele mesmo, há 23 anos (1986). O Emilio não acreditou!!! Tive que procurar o artigo, escanear e enviar para ele. Na época, o Emilio era conhecido por ter o melhor backhand do circuito profissional. Confira a matéria, abaixo:


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           Após esta incrível coincidência, a conversa ficou mais informal e pudemos discutir algumas questões técnicas, como:

• Fatores mais importantes durante a formação de um tenista;
• Softwares utilizados para Análise Biomecânica;
• Fases de uma Análise Biomecânica;
• Elaboração de um Curso de Capacitação em Biomecânica para os técnicos da CBT, com duração de 4 horas.

A reunião contou também com a presença de Roberto Burigo, diretor executivo da CBT.
Obviamente o saldo da reunião foi muito positivo. Tive a oportunidade de aprender um pouco mais sobre tênis com uma personalidade muito importante do meio. Também tive chance de mostrar meu trabalho e espero que este possa ser útil nesse novo projeto, atingindo os jovens tenistas talentosos que necessitam da utilização da Ciência aplicada à prática.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Mais Textos no Tenisbr@sil


Aqui estão os Links dos textos que escrevi no site Tenisbr@sil.

Tenha dois tipos de Forehand
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-12.htm
Potência = velocidade máxima no ponto de contato
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-11.htm
Diferença entre os saques: SLICE e KICK
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-10.htm
Tennis Elbow: 10 dicas de condicionamento físico.
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-09.htm
Backhand: uma ou duas mãos?
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-08.htm
Tennis Elbow: 10 dicas técnicas.
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-06.htm
Como analisar (estatisticamente) um jogo de tênis
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-05.htm
As regiões da quadra de tênis
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-04.htm
Tennis Elbow: 10 dicas para escolher seu equipamento
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-03.htm
Aprenda a utilizar os pés durante o saque
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-02.htm
Tênis, ciência e tecnologia
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-01.htm
As vantagens do Topspin
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao017.htm
Prefira o saque fechado para um ace
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao016.htm
Flexione os joelhos para “encaixar” melhor o saque
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao015.htm
O que levar para um jogo de tênis
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao014.htm
Voleie de direita e esquerda com a mesma empunhadura
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao013.htm
Análise biomecânica do saque
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao012.htm
Análise biomecânica do backhand (esquerda)
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao011.htm
Análise biomecânica do forehand (direita)
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao010.htm
No approach, bata e corra para a rede
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao009.htm
Para volear, dê um passo à frente
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao008.htm
Faça o "split-step" na devolução de saque
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao007.htm
Evite lançar a bola muito alto para sacar
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao005.htm
Ângulo reto para golpear o backhand com slice
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao004.htm
Segure a bola na ponta dos dedos durante o toss
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao003.htm
Lance a bola sempre no mesmo lugar para esconder o saque
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/paredao/paredao002.htm

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Análise Qualitativa dos Golpes no Tênis

Prof. Dr. Ludgero Braga Neto

A análise qualitativa dos golpes utilizados no tênis é uma tarefa bastante exigente, devido à velocidade, complexidade e natureza dinâmica dos mesmos. Treinadores, possivelmente, seriam mais eficientes se integrassem à prática, informações científicas utilizando um modelo compreensivo do processo qualitativo de análise.

O modelo qualitativo de análise de KNUDSON & MORRISON (1997), apresentado a seguir, é descrito e ilustrado para vários golpes do tênis. Com este modelo, os treinadores podem melhorar a análise qualitativa referente ao jogador, descrevendo pontos positivos e negativos, diagnosticando as causas de baixo desempenho e assim prescrevendo as possíveis intervenções.

Os treinadores de tênis têm como objetivo ajudar a melhorar o desempenho do tenista. O principal método utilizado para isso é baseado na análise qualitativa dos movimentos dos golpes do jogador.

Muitos treinadores são forçados a desenvolver esta habilidade apenas utilizando a sua própria experiência prática, ou seja, fazem uma comparação mental entre o golpe tecnicamente correto e o golpe que estão observando, detectam os possíveis erros e então executam as correções. No entanto, extensas análises qualitativas e pesquisas em ciência do esporte indicam que este método é inadequado (HAY & REID, 1988; KNUDSON & MORRISON, 1997; McPERSON, 1996 e NORMAN, 1975).

Uma visão interdisciplinar da análise qualitativa exige do treinador contínuos estudos ao longo da carreira, sobre a modalidade, o treinamento e as ciências do esporte.

O modelo proposto por KNUDSON & MORRISON (1997) é utilizado para ilustrar a amplitude da análise qualitativa. Este modelo define a análise qualitativa como: “observação sistemática e julgamento introspectivo da qualidade do movimento humano com o propósito de fornecer a intervenção adequada para melhorar o desempenho”. Esta difícil habilidade pode ser contextualizada nas quatro etapas do modelo de tarefas representadas na FIGURA 1, abaixo:

                                                                             

FIGURA 1 – Modelo de Análise Qualitativa (KNUDSON & MORRISON, 1997).

A seguir, a descrição das etapas apresentadas na FIGURA 1:

• Projeto – o treinador prepara-se para a análise qualitativa, reunindo informações sobre a modalidade e sobre o jogador, além de preparar a estratégia observacional;

• Observação – o treinador observa o jogador sob todos os aspectos que julga serem relevantes para reunir informações sobre o desempenho;

• Avaliação/Diagnóstico – é realizada a avaliação dos pontos positivos e negativos do desempenho do jogador e também o diagnóstico dos problemas referentes aos movimentos dos golpes; e

• Intervenção – esta tarefa é constituída da intervenção do treinador em quadra e, em seguida, realiza-se novamente a tarefa de observação.

Portanto, no momento em que o treinador de tênis for projetar a análise qualitativa, deverá julgar e integrar fontes de informação, como sua experiência e a literatura científica.

É inegável que a experiência é algo insubstituível, uma vez que fornece ricas informações a respeito da modalidade, não obstante, os treinadores devem sempre adquirir novos conhecimentos, por meio de cursos de formação, congressos de atualização, além de manter uma rede de comunicação e compartilhamento entre si. As lições de experiências profissionais transmitidas pelos treinadores devem ser cuidadosamente comparadas com a literatura científica.

Podemos citar como exemplo de controle das variáveis externas, a colocação da bola de tênis em uma posição fixa, sem a necessidade de o tenista realizar cálculos de timing antecipatório para golpeá-la.

As conclusões de uma pesquisa científica são transferíveis para a análise qualitativa e para a intervenção. Porém, o controle experimental das variáveis tende a limitar a generalização dos resultados em situação de jogo.

Apesar de ainda escassas se comparadas a outras áreas, nos últimos anos ocorreu um importante aumento na quantidade de pesquisas em ciências do esporte e também especificamente em tênis, fornecendo mais informações aos treinadores.

Treinadores devem buscar atualização permanente na capacitação profissional, seja na área do movimento humano ou em cursos de formação de treinadores. Os esforços cooperativos entre treinadores e ciência do esporte melhoraram a eficiência da análise qualitativa e, consequentemente, do ensino da modalidade tênis.

O treinador precisa reunir informações sobre vários aspectos do tênis: golpes, equipamentos, métodos de treinamento, regras, tática, entre outros. Todas estas informações devem então ser integradas e organizadas. Uma eficiente estratégia para integrar tais elementos é o estabelecimento de características básicas. Ou seja, características necessárias de um determinado golpe para que este seja executado de forma otimizada, com potência e precisão adequadas, e com o mínimo risco de lesionar o executante. As características básicas devem ser o principal foco do ensino e da análise qualitativa.

Normalmente, as características básicas são descritas como ações ou movimentos. Como exemplo, KNUDSON (1991) descreve quatro características básicas do forehand:

• Nível de prontidão do jogador em iniciar o golpe;

• Fase de preparação curta e rápida da raquete;

• Rotação do quadril e trajetória da raquete em direção à bola; e

• Terminação adequada do golpe.

Na fase observacional, é importante lembrar que a percepção visual é severamente limitada a partir do aumento da velocidade dos segmentos corporais envolvidos no movimento. A visão da trajetória da raquete e dos membros superiores do tenista em “golpes balísticos” como o saque e o forehand são extremamente difíceis. Estas limitações de percepção visual do movimento foram discutidas por KNUDSON e KLUKA (1997), os quais concluíram que os observadores devem filtrar e utilizar a grande quantidade de informações de forma cuidadosa, planejando uma estratégia observacional.

Uma estratégia observacional bastante utilizada é baseada na organização das fases do movimento. A estratégia observacional deve ser planejada de forma a simular a situação da natureza do jogo, garantindo que o desempenho seja semelhante à competição. Observar o saque de um tenista sem que ele sofra a pressão da devolução de saque, por exemplo, pode não ser relevante.

O número de tentativas também deve ser levado em conta no planejamento da estratégia observacional.

Outro aspecto a ser observado diz respeito ao local do observador. O plano ideal é perpendicular ao plano do movimento a ser observado. Normalmente utiliza-se câmeras de vídeo de alta velocidade para registrar os gestos rápidos que são executados no tênis. Desta forma, a posterior análise quadro-a-quadro fica facilitada.

Ademais, a tarefa da análise qualitativa envolve dois importantes passos: a avaliação e o diagnóstico. A avaliação determina o desempenho, identificando os pontos positivos e negativos dos movimentos executados pelo tenista. O diagnóstico é a identificação das causas do mau desempenho. Estes dois passos são os mais difíceis da análise qualitativa, devido à natureza interdisciplinar do movimento humano e da necessidade de integrar as ciências do esporte e experiência nas tomadas de decisões.

A abordagem tradicional caracteriza-se apenas em detectar algum erro de movimento e então corrigi-lo com alguma forma de feedback informacional. Já a avaliação significa mais do que detectar diferenças entre o nosso modelo mental de movimento e o movimento que o tenista realizou. Uma vez que os pontos positivos e negativos foram identificados, o analista deve encarar o desafio de determinar qual será a intervenção mais adequada.

Uma abordagem para simplificar o diagnóstico de desempenho na maioria das situações de ensino é determinar o nível de importância das características chave do golpe, baseando-se na experiência do treinador e na literatura científica. KNUDSON, LUEDTKE & FARIBAULT (1994), analisando o saque de tenistas iniciantes, propuseram seis características chave em ordem de importância, como mostra a TABELA 1:

TABELA 1 – Diagnóstico do saque no tênis por ordem de importância das características chave. (KNUDSON et al.,1994).

Característica Chave Importância

1. Empunhadura (grip) Determina a trajetória da raquete e a ação do antebraço e punho.

2. Lançamento da bola (toss) Determina o ritmo do golpe e a trajetória adequada da raquete.

3. Preparação do golpe Afeta o ritmo e a velocidade da raquete.

4. Contato raquete-bola Determina a trajetória da bola.

5. Terminação do golpe Maximiza a velocidade da raquete.

6. Apoio dos pés (stance) Afeta o equilíbrio, a precisão e a velocidade da raquete.


Com o intuito de melhorar o desempenho de seus atletas, treinadores de tênis encontraram vários caminhos para intervir no processo de aprendizagem. Ressalta-se que intervenção é mais que oferecer o tradicional feedback informacional ou correções.

Outrossim, mesmo com uma grande quantidade de ferramentas, os treinadores devem selecionar cuidadosamente uma única intervenção baseada em seu diagnóstico da situação. Esta atitude evita a ocorrência da chamada “paralisia”, onde o tenista recebe um grande número de informações e não consegue processá-las.

As ciências do esporte, com enfoque em aprendizagem motora e pedagogia fornecem pesquisas extensivas sobre como os treinadores de tênis devem intervir para melhorar o desempenho dos tenistas. Pesquisas sugerem que o feedback sobre o movimento atual (conhecimento de desempenho) é uma intervenção mais poderosa que a informação de resultado (conhecimento de resultado). De maneira mais prática, o tenista deve receber mais informações sobre “como” golpeou a bola, em detrimento de “onde” golpeou a bola.

Portanto, uma eficiente análise qualitativa envolve a integração de informações baseadas numa visão mais ampla do processo do que o clássico procedimento desenvolvido pelos profissionais que só utilizam como base suas próprias experiências práticas. Os técnicos de tênis serão analistas mais eficientes se esforçarem-se para utilizar as quatro etapas do modelo de tarefas da análise qualitativa (KNUDSON & MORRISON, 1997).



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


KNUDSON, D. The tennis topspin forehand drive: technique changes and critical elements. Strategies, v.5, n.1, p.19-22, 1991.

KNUDSON, D.; MORRISON, C. Qualitative analysis of human movement. Champaign, IL: Human Kinetics, 1997.

KNUDSON, D.; KLUKA, D. The impact of vision and vision training on sport performance. Journal of Physical Education, Recreation and Dance, v.68, n.4, p.17-24, 1997.

KNUDSON, D.; LUEDTKE, D.; FARIBAULT, J. How to analyze the serve. Strategies, v.7, n.8, p.19-22, 1994.