quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Críticas e Posicionamentos...

     Poderia escrever o último post do ano desejando Boas Festas e um excelente 2011 para todos vocês. Porém, além disso, prefiro registrar algumas críticas e posicionar-me em relação ao Tênis Brasileiro.

  Poderia também contentar-me apenas com as conquistas Profissionais que obtive nos últimos 5 anos: treinei 10 tenistas infanto-juvenis entre os 10 melhores do Brasil, fui Treinador da melhor tenista profissional em 2006/2007, atuei como técnico em Torneios de Grand Slam, entre outras. Por outro lado, tenho a consciência de que o Tênis Brasileiro, em um universo macro, passa por um período de dificuldades. Penso que alguns fatores contribuem para este cenário: desentendimentos entre órgãos oficiais, perda de espaço físico para empreendimentos imobiliários nas grandes capitais, ausência de um ídolo, postura centralizadora e egocêntrica de grande parte dos Treinadores, falta de um Método de Ensino (Escola Brasileira de Tênis ?!?), entre outros fatores patológicos. Para equilibrar um pouco esta conta negativa, temos: surgimento de Thomaz Bellucci como Top 30, Cursos de Capacitação de Treinadores (criados por César Kist e Eduardo Eche), aumento dos Torneios Profissionais no Brasil, fomento da Lei do Incentivo ao Esporte, alguns Projetos Sociais, entre outros poucos acontecimentos.      

Após 20 anos de dedicação integral ao Tênis, permito-me colocar em discussão alguns fatos que, em menor ou maior grau, julgo contribuir para este estado de estagnação (“steady state”) que nosso Tênis atravessa.  

     Há poucos meses, Thomaz Bellucci foi execrado ao emitir sua opinião sobre os técnicos brasileiros. Talvez tenha se expressado mal, é fato. Logo no dia seguinte às notícias, recebi um e-mail do Bellucci, esclarecendo que sua crítica foi direcionada aos técnicos especializados em altíssimo rendimento, realmente raros aqui no Brasil. Na verdade, ele quis dizer que não tínhamos técnicos com capacidade de treinar um Top 30 e colocá-lo entre os 5 melhores do mundo. O que achei engraçado: muitos dos que criticaram, não fazem parte desta categoria de técnicos, trabalham com tenistas em formação. Só me restou concluir que a famosa “carapuça serviu”. E ainda... a maior prova de que Bellucci foi coerente: não temos filas de tenistas estrangeiros em busca de técnicos brasileiros.

Portanto, penso que devemos ser mais humildes e: estudar mais, participar de mais Cursos e Congressos, aprender novos métodos, viajar para ganhar experiência... Sendo assim, aqui vai meu recado para estes treinadores: se quiserem conquistar um lugar ao Sol sem estudar e trabalhar, mude de profissão!! 

Por fim, desejo que 2011 seja um ano onde o Tênis Brasileiro receba mais benefícios para equilibrar esta “conta”, e assim conquiste um lugar de maior destaque no cenário mundial. E para isso, espero que continuemos promovendo Torneios, que novos técnicos surjam com formação acadêmica e disposição, que os órgãos competentes executem suas funções, etc...

Para quem se sentiu ofendido, também sinta-se à vontade para me escrever: ludgerobraga@hotmail.com

Boas Festas e um 2011 de muito SUCESSO para todos vocês !!!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Backhand com 1 ou 2 mãos? A BIOMECÂNICA explica !!!

Há oito anos, escrevi um texto no site Tenisbr@sil (http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/instrucao/seujogo/ciencia/ciencia-08.htm) abordando esta freqüente dúvida entre muitos tenistas. A partir deste texto, recebi muitos e-mails questionando sobre as vantagens e desvantagens de cada um dos dois tipos de backhand. Resolvi então pesquisar este tema, que fez parte da minha Tese de Doutorado, concluída em 2008, na Universidade de São Paulo.



Antes da década de 70, realizar um golpe de esquerda (backhand) com duas mãos era exceção, quase uma heresia. Este golpe nem era citado nos livros de tênis da época. Só passou a receber um pouco de atenção quando jogadores como Jimmy Connors, Chris Evert e Björn Borg começaram a ganhar importantes títulos golpeando o backhand com ambas as mãos.

Atualmente, é fácil verificarmos que grande parte dos tenistas profissionais adotaram o backhand com duas mãos. Apesar deste fenômeno ocorrer principalmente no tênis feminino, também vem ganhando força no masculino: 16 tenistas entre os 20 melhores do mundo (Ranking da ATP em 01 de Novembro 2010) utilizam o backhand com duas mãos. Apenas quatro tenistas utilizam o backhand com uma mão: Federer, Youzhny, Almagro e Ljubicic. Na mesma data, o Ranking da WTA apresenta apenas duas tenistas entre as 20 melhores que utilizam o backhand com uma mão: Schiavone e Henin.

Não podemos negar então, que o backhand evoluiu para duas mãos. Porém, ainda existem extensas discussões entre os técnicos sobre as vantagens e desvantagens de cada golpe. Infelizmente, estas dúvidas acabam se estendendo aos tenistas em fase de formação. Penso que a melhor maneira de tentar resolver esta dicotomia é buscar respaldo na Ciência que mais se aproxima às questões técnicas do tênis: a Biomecânica.

Assim sendo, apresentarei uma comparação entre os dois tipos de backhand, analisando 9 aspectos técnicos baseados em livros especializados e principalmente em estudos científicos. Apresentarei também, alguns resultados obtidos a partir da minha Pesquisa Científica.



ALCANCE – Talvez este seja um dos mais óbvios. Em bolas mais curtas ou laterais, quem utiliza o backhand com uma mão leva vantagem, pois terá a chance de realizar uma extensão total do cotovelo. Nestas situações extremas, o tenista que utiliza o backhand com duas mãos terá seu alcance reduzido devido ao posicionamento da mão não-dominante sobre o cabo da raquete, o que impede a extensão do cotovelo. A Foto 01 mostra esta diferença. Podemos concluir então, que para golpear o backhand com duas mãos, o tenista deverá se aproximar um pouco mais da bola. Além dessa maior distância a ser percorrida, golpear a bola utilizando-se do backhand com duas mãos, torna mais difícil o deslocamento do tenista em direção à bola, o que exige uma maior coordenação.
Foto 01 – Comparação do Alcance entre os dois Backhands.

ANGULAÇÃO - Quem utiliza o backhand com duas mãos tem maior facilidade em cruzar bolas com topspin, principalmente as mais curtas, pois contam com o auxílio do antebraço e punho não-dominante (Foto 02). Obviamente, esse auxílio não ocorre durante o backhand com uma mão.








Foto 02 – Auxílio do antebraço não-dominante
        no Backhand com 2 mãos.

APRENDIZAGEM – Incluiremos aqui alguns itens que são fundamentais durante a fase de aprendizagem do tênis: demanda de força muscular, coordenação motora e ponto de contato raquete-bola. Quanto à demanda de força muscular, o backhand com duas mãos é o golpe mais recomendado para tenistas iniciantes e/ou mais jovens. Distribui a sobrecarga sobre o sistema ombro/braço/antebraço/punho. Isso proporcionará maior estabilidade na cabeça da raquete no momento do contato com a bola, fase crucial do golpe. Quanto à coordenação motora, o backhand com duas mãos também apresenta vantagens, pois os segmentos corporais atuam de forma mais conjunta e não independente, como ocorre no backhand com uma mão. Além disso, o backhand com duas mãos não exige um ponto de contato tão à frente como o backhand com uma mão, permitindo ao tenista pequenos erros de timing, além de maior conforto por estar mais próximo ao corpo. Ainda, golpeando o backhand com duas mãos, o aprendiz terá menos dificuldades nas inevitáveis bolas altas, podendo utilizar também a mão não-dominante para auxiliá-lo.






Foto 03 – A aprendizagem do Backhand em crianças: 
           grande demanda de força muscular.

PONTO DE CONTATO – O ponto de contato com a bola durante a execução do backhand com uma mão, é aproximadamente, entre 20 e 30 centímetros mais à frente se comparado ao backhand com duas mãos. Esse é um fator complicador em bolas rápidas, pois a técnica com uma mão exige maior velocidade de movimento da raquete, caso contrário o contato será atrasado.
POSICIONAMENTO DOS PÉS - O aumento da velocidade da bola durante as trocas de fundo de quadra (rally) no tênis moderno, forçou os jogadores a utilizar a posição de open stance para golpear o backhand com duas mãos. Esta posição permite ao tenista executar o golpe mantendo os pés de frente para a rede, sem a necessidade de um passo de ajuste extra. A posição clássica (square stance) posiciona o tenista lateralmente, porém exige este passo de ajuste. Sob a perspectiva tática, o open stance facilita a recuperação do tenista em direção ao centro da quadra mais rapidamente, pois ao final do golpe ainda estará posicionado de frente para a rede. Mesmo em open stance, o tenista consegue executar a rotação do quadril e ombros para golpear a bola durante o backhand. Estas são importantes fontes de potência desta técnica. Os tenistas adeptos do backhand com duas mãos, podem utilizar os dois tipos de posicionamento dos pés, dependendo da situação tática. Por outro lado, o jogador que utiliza o backhand com uma mão, poderá realizar o open stance eficientemente apenas em algumas situações específicas. Exemplos: quando necessitar realizar a fase de preparação (backswing) curta, para golpear bolas altas com o apoio no pé esquerdo (destros) ou em devoluções de saque. Confira a diferença entre o posicionamento dos pés na Foto 04, abaixo:
Foto 04 – Maior facilidade em utilizar o Open Stance com 2 mãos.

PREPARAÇÃO DO GOLPE – O backhand com duas mãos demanda um menor tempo de execução da fase de preparação do golpe (backswing). O raio de giro é menor quando comparado ao backhand com uma mão. Os cotovelos podem ser mantidos mais próximos do tronco, facilitando a preparação.
Veja na Foto 05:







Foto 05 – Raio de giro durante a preparação do Backhand.

PREVENÇÃO DE LESÕES - Ao golpear o backhand com duas mãos, o choque gerado pelo contato raquete-bola é distribuído entre os dois braços, diminuindo as chances de lesões, principalmente no cotovelo.

SLICE e GOLPES ESPECIAIS – Geralmente, o backhand slice, o bate-pronto do meio da quadra e a curtinha (drop shot), são executados com a empunhadura (grip) continental, coincidindo portanto com a empunhadura da mão dominante durante a execução do backhand com duas mãos. Portanto, o tenista que utiliza o backhand com duas mãos não necessita trocar de empunhadura para realizar estes golpes. Isso é muito importante para esconder a jogada, o chamado disguise. Também é vantajoso durante a subida à rede, pois ao executar a bola de aproximação utilizando o backhand com duas mãos, o tenista não precisará trocar a empunhadura para os próximos golpes: voleio, smash ou bate-pronto. Vale ressaltar que tenistas adeptos do backhand com duas mãos, utilizam esta técnica para golpes chapados ou com topspin, e então, devem utilizar o backhand com uma mão para golpear com slice.  

VELOCIDADE DA RAQUETE – Essa é uma das variáveis mais significativas na geração de potência dos golpes. Mais uma vez, os adeptos da técnica de backhand com duas mãos levam vantagem. O menor raio de giro dos executantes desta técnica fornece maior velocidade angular da cabeça da raquete no momento do contato, e potencialmente maiores velocidades lineares no momento e após este contato. Ao golpear o backhand com duas mãos, o tenista utiliza mais as articulações do cotovelo e punho, que por serem menores, geram maiores velocidades.

RESULTADO DA COMPARAÇÃO: Ao final da análise comparativa, percebemos uma ampla vantagem do backhand com duas mãos, que apresentou vantagens em 8 dos 9 aspectos abordados.

Veja na Tabela abaixo, o resumo deste resultado:








Variável:
Backhand
1 mão
Backhand
 2 mãos
Alcance
Angulação
Aprendizagem
Ponto de Contato
Posicionamento dos Pés
Preparação do Golpe
Prevenção de Lesões
Slice e Golpes Especiais
Velocidade da Raquete

Apesar de a maioria das variáveis acima apontar maiores vantagens para o backhand com duas mãos, é interessante que o tenista em dúvida experimente as duas opões, para então tomar sua decisão. Aproveito para deixar algumas dicas de treino, qualquer que seja sua escolha:

Backhand com uma mão:
*  Procure fortalecer o antebraço e o punho. A musculatura destas regiões são muito solicitadas durante a execução deste golpe;
*  Treine rebater bolas altas, que sempre incomodam quem utiliza esta técnica;
* Faça treinos que desenvolvam seu tempo de reação, principalmente envolvendo trocas de empunhadura;
*  Procure abreviar sua preparação (backswing), principalmente durante a devolução de saque;

*  Faça drills para desenvolver sua cruzada curta com topspin, enfatizando a utilização do antebraço.

Backhand com duas mãos:
*  Procure fazer do seu backhand com duas mãos, um ”espelho” do forehand: a mão não-dominante deve descrever a mesma trajetória da mão dominante no forehand. Desta forma, você conseguirá utilizar melhor sua mão não-dominante, sobrecarregando menos os músculos do antebraço e punho.

PESQUISA CIENTÍFICA – Após quatro anos absorvendo conhecimentos na graduação, tive a chance de ingressar na área de pesquisa, através da pós-graduação. A grande diferença é a oportunidade em gerar conhecimentos para compartilhar com os profissionais da minha área. A seguir então, apresentarei resumidamente minha pesquisa científica sobre este tema.

Justificativas do Estudo:
· Backhand e Forehand são os golpes mais utilizados no tênis. Juntos, representam em média, 67% entre todos os possíveis golpes executados em um jogo;
· Poucos estudos abordam os aspectos biomecânicos do backhand;
· Utilizar os dados obtidos com este estudo para o auxílio do ensino da modalidade tênis.

Objetivo do Estudo:
O objetivo deste estudo foi descrever as características biomecânicas dos músculos relacionados à utilização de duas diferentes técnicas de backhand.

Hipótese Inicial:
A técnica de backhand com duas mãos demanda maiores contrações musculares para o movimento de rotação do quadril se comparada à técnica de backhand com uma mão.

Material e Métodos:
O estudo contou com a participação de 10 tenistas com pelo menos 10 anos de experiência, sendo 5 adeptos da técnica backhand com uma mão e 5 adeptos da técnica backhand com duas mãos. Todos os tenistas executaram os golpes de backhand monitorados por um aparelho chamado eletromiógrafo. Este aparelho registra a atividade elétrica presente no músculo em contração. Especificamente neste estudo, monitoramos o músculo eretor espinhal, um dos responsáveis pelo movimento de rotação do quadril, e conseqüente giro do tronco. Esta atividade foi registrada em duas fases do golpe: pré e pós contato raquete-bola. A FIGURA 06 mostra parte dos equipamentos utilizados: 
FIGURA 06 – Equipamento de Eletromiografia (EMG)

Resultados: O músculo eretor espinhal apresentou maiores ativações durante a execução do backhand com duas mãos. Esta diferença foi evidenciada na fase pós-contato, devido à maior rotação do quadril característica desta técnica. A rotação do quadril na fase pós-contato se deve à condução do braço não dominante à frente.

Conclusão:
Os resultados confirmam a hipótese inicial, confirmando que a técnica de backhand com duas mãos exige maiores contrações musculares para o movimento de rotação do quadril.

Referências Bibliográficas:

AKUTAGAWA, S.; KOJIMA, T. Trunk rotation torques through the hip joints during the one- and two-handed backhand tennis strokes. Journal of Sports Sciences, v.23, n.8, p.781-793, 2005.
 
BRAGA NETO, L. Características dinâmicas e eletromiográficas do forehand e backhand em tenistas. 2008. 246f. Tese (Doutorado) - Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo.

ELLIOTT, B.C.; MARSH, A.P.; OVERHEU, P.R. The topspin backhand drive in tennis: a biomechanical analysis. Journal of Human Movement Studies, n.16, p.1-16, 1989.

GIANGARRA, C.E.; CONROY, B.; JOBE, F.W.; PINK M.; PERRY, J. Electromyographic and cinematographic analysis of elbow function in tennis players using single and double handed backhand strokes. American Journal of Sports Medicine, v.21, n.3, p.394-99, 1993.

REID M.M. The backhand – which one (or two) to use? 2006. Disponível em: <http://cis.squirming.net/category/tennis/184/>. Acesso em: 14 fev. 2006.

WEI, S.H.; CHIANG, J.Y.; SHIANG, T.Y.; CHANG, H.Y. Comparison of shock transmission and forearm electromyography between experienced and recreational tennis players during backhand strokes. Clinical Journal of Sports Medicine, v.16, n.2 p.129-135, 2006.

Agradecimento:

Gostaria de prestar uma sincera homenagem ao maior conhecedor desta maravilhosa Ciência – Biomecânica – meu sempre orientador Prof. Dr. Alberto Carlos Amadio.

Repetirei então meus agradecimentos que estão registrados em minha Tese de Doutorado:

“Agradeço ao Professor e sempre Amigo, Alberto Carlos Amadio, por sempre acreditar que minha experiência com o Tênis deveria ser submetida à Ciência. Obrigado pelas constantes demonstrações de sabedoria e humildade”.




sábado, 20 de novembro de 2010

Mais de 1000 e-mails respondidos para os leitores do site Tenisbr@sil !!!

É com muito orgulho que esta semana chego a marca de 1000 e-mails respondidos aos tenistas/leitores do site Tenisbr@sil. Aproveito a oportunidade para deixar registrada minha admiração pelo jornalista José Nilton Dalcim, idealizador do maior site de Tênis que temos disponível, e que há 30 anos busca, filtra e nos repassa preciosas informações sobre essa nossa paixão. Informações SEMPRE atualizadas, com precisão e imparcialidade. Quando ouço discussões sobre o desenvolvimento do Tênis no Brasil, infelizmente, a importância dos jornalistas nesse processo raramente é lembrada. Portanto, fica aqui meu registro: Parabéns JONI !!! 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ludgero Comemora 20 anos de Profissão!!


Quero dividir com meus amigos e incentivadores esta importante data. Há 20 anos iniciei esta nobre profissão e tenho muito orgulho de estar desde então intimamente ligado ao TÊNIS. Foram 20 anos ininterruptos, sempre focado entre Estudos, Ensino e Pesquisa. Às vésperas de comemorar esta data, a conhecida frase "parece que foi ontem" deu lugar à uma incrível viagem no tempo. Lembro-me muito bem. Recebi um telefonema da Diretora de Tênis do São Carlos Clube, a Sra. Nelise Kestembach, me informando que o técnico da Equipe de Tênis havia pedido demissão. Logo depois da surpresa, veio o convite para que eu assumisse o cargo. Nem preciso dizer que aquela noite foi de pouco sono. Mas, no outro dia estava em quadra, desta vez "do outro lado". 
Comemoração mesmo deixarei para 2015, quando completarei 25 anos como Técnico de Tênis. Até lá terei mais tempo para escrever e compartilhar com vocês algumas lembranças, passagens e acontecimentos.


Forte Abraço!


Ludgero.  
  

sábado, 25 de setembro de 2010

Análise Biomecânica do Saque - Fase 3



Esta fase do saque recebe o nome da letra "W", que é formada entre os braços e a cabeça do tenista. Nos EUA é chamada de "trophy position", ou "posição de troféu". É a fase final da preparação do saque, marcada pelo posicionamento da ponta da raquete e mão que lançou a bola para cima. Confira nas fotos abaixo, mais alguns exemplos desta fase em tenistas profissionais:

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DISTÂNCIA ENTRE O BRAÇO E O TRONCO - esta é uma importante variável técnica que auxilia na geração da potência durante o saque. Quando o sacador mantém o braço mais afastado do tronco, sua raquete poderá ser posicionada mais distante da bola que foi lançada, e assim a distância em que a raquete poderá ser acelerada até atingir esta bola também será maior. Quanto mais o sacador acelerar a raquete até o ponto de contato com a bola, maior será a velocidade com que as cordas da raquete farão o contato com a bola, e assim, maior será a potência do saque!! Perceba esta diferença no tenista abaixo. Em uma primeira análise desta fase do saque, percebemos que a distância entre o braço e o tronco era zero, ou seja, o cotovelo estava "colado" no tronco. Com esse posicionamento do braço, o tenista trazia a raquete à frente antecipadamente, diminuindo assim a distância para acelerar a raquete até a bola e, consequentemente, perdendo potência.


Para corrigir esta falha técnica, utilizamos um treino bem simples, baseado no Método Parcial, da USPTR (United States Professional Tennis Registry). O método consiste em realizar o saque a partir da fase onde deve ocorrer a mudança. Neste caso, o tenista deve iniciar o saque a partir da Fase 3 (Fase "W"). Esta pausa é muito importante para que o tenista desenvolva a propriocepção, e assim tenha noção do posicionamento de seus segmentos corporais no espaço. Veja o vídeo do Método Parcial abaixo:




FLEXÃO DOS JOELHOS - nesta fase, o sacador atinge o grau máximo de flexão dos joelhos, que deve ser por volta de 110 graus, como indicam alguns estudos científicos. Esta flexão é necessária para impulsionar o tenista para cima (força de reação do solo) e para frente (momento linear) na fase seguinte. Se este grau de flexão for pequeno, a fase de extensão dos joelhos será prejudicada. E, como veremos na próxima fase, esta extensão é responsável por gerar potência e colocar o sacador em fase aérea, podendo atingir a bola em uma maior altura e assim facilitar a passagem da mesma sobre a rede.
Grau de Flexão dos Joelhos




Em minha Tese de Doutorado, utilizei um aparelho chamado Eletrogoniômetro, que tem a finalidade de medir com precisão a variação angular entre dois segmentos corporais. Neste caso, entre a coxa e a perna. Este equipamento é constituído de duas hastes ligadas à um potenciômetro de rotação, que funciona como transdutor. Veja as fotos:

Eletrogoniômetro

Dica de Treino - um dos possíveis treinos utilizados para aumentar o grau de flexão dos joelhos, e também aumentar a extensão, é sacar saltando sobre uma folha de papel. Depois de uma certa prática, você pode saltar sobre o cabo da raquete. Veja este treino abaixo, em vídeo:


TOSS - COMO LANÇAR A BOLA CORRETAMENTE - sempre ouvimos que o toss é um importante aspecto técnico do saque. Alguns técnicos até ousam quantificar sua importância: "o lançamento representa 50% do saque...". Obviamente, como são vários os fatores determinantes em um saque, não existem pesquisas que consigam revelar esta participação do toss. Porém, mesmo sem esses dados, sabemos que se o tenista lançar a bola de forma incorreta, terá que reposicionar alguns segmentos corporais para "consertar" o saque. Mas como as regras do tênis nos permitem abortar o saque e iniciá-lo novamente, essa improvisação não é necessária, e portanto, pouco inteligente. 
O toss pode variar de acordo com os possíveis efeitos gerados no saque: Flat (também conhecido como chapado), Slice (também conhecido como cortado) e Kick (também conhecido como Topspin ou American Twist). Estas variações serão discutidas em um Capítulo à parte. Neste Capítulo, tomaremos como base o saque Flat. E para discutirmos o toss de maneira adequada, precisamos considerá-lo e 3 dimensões, ou 3 eixos:


EIXO ÂNTERO-POSTERIOR - é o eixo desde a linha de base até a rede. O tenista deve lançar a bola dentro da quadra, ou seja, à frente de seu corpo. Isso forçará o tenista a se desequilibrar/movimentar para frente, aumentando assim seu momento linear, que como vimos anteriormente, é uma importante fonte de potência. Esse "desequilíbrio" deve ser causado principalmente pela ação do ciclo de flexão/extensão dos joelhos. Veja o exemplo no vídeo abaixo:

      
EIXO LATERAL - é o eixo traçado entre as linhas laterais da quadra. Os tenistas destros devem lançar a bola um pouco à direita. Desta forma poderão utilizar eficientemente a rotação do quadril e ombros. Quando o tenista (destro) lança a bola à esquerda, terá que realizar uma hiperextensão da coluna, podendo sofrer alguma lesão nesta região ao longo do tempo. Estudos mostraram que treinos com alta intensidade e repetição de gestos como a hiperextensão da coluna, aplicados em tenistas durante a fase de crescimento, aumentam substancialmente o risco de alterações degenerativas/patológicas nesta região. Veja a foto abaixo, que demonstra o movimento de hiperextensão da coluna durante o saque:


Observação: - como técnico de infanto-juvenis, percebo que este erro técnico no toss é bastante comum entre os tenistas. Para exemplificar, repare no tenista acima e à direita, de 12 anos. Ele executa o toss à esquerda, e então é forçado a executar uma acentuada extensão na coluna. De outra forma, o tenista à esquerda, de 18 anos, apresenta técnica aceitável se compararmos aos padrões biomecânicos. Percebo que muitos destes jovens tenistas, mesmo sendo esforçados, apresentam sérios problemas técnicos. Além do treinamento, alguns tenistas procuram treinar mais 100, 150, até 200 saques por dia. O problema é que treinar sem informação prévia, induz o tenista a reforçar e acentuar seus erros.

Dica de Treino - a próxima dica de treino pode ser utilizada para os 2 eixos do toss descritos acima. Confira no vídeo abaixo: 

EIXO DAS ALTURAS - por último, analisaremos a eixo das alturas. Em teoria, a altura em que o tenista deve lançar a bola é exatamente no ponto de máximo alcance do tenista. Este ponto está demostrado na foto abaixo. Perceba que levo em consideração a distância da fase aérea, além de toda a extensão dos segmentos corporais. Se o tenista conseguir lançar a bola só até este ponto, poderá golpeá-la em velocidade zero (v=0), que seria o instante onde a bola muda de sentido (da fase ascendente para a fase descendente). Se isso ocorrer, com certeza a precisão do sacador será maior, pois este rebateria um alvo imóvel. Porém, na prática, isso é muito difícil de ocorrer. Muitos tenistas lançam a bola um pouco acima deste ponto, portanto golpeiam a bola em sua fase descendente. A teoria de lançar a bola no ponto de máximo alcance seria mais eficiente para o saque flat, que requer uma maior precisão devido à maior potência.  

Ponto de Máximo Alcance


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Portanto, não se preocupe se você lança a bola um pouco mais alto que o ponto de máximo alcance. Por outro lado, se você lançar a bola muito mais alto que este ponto, como mostrado no exemplo acima, a potência de seu saque será prejudicada por dois motivos:

1) o ritmo do saque será interrompido, pois você terá que "esperar" a bola subir, parar e voltar até o ponto de máximo alcance; e

2) você terá que golpear a bola em sua fase descendente, ou seja, em movimento. A chance de errar este cálculo extra será maior. Se isso acontecer, importantes movimentos que geram potência, como a extensão do cotovelo por exemplo, ficarão prejudicados.

Para exemplificarmos as citações acima, o próximo vídeo mostra os 3 tipos de saque quanto ao toss e ao ponto de contato: na fase descendente, próximo ao ponto de máximo alcance e na fase ascendente.


TÉCNICA DE POSICIONAMENTO DOS PÉS - basicamente, existem duas possíveis técnicas de posicionamento dos pés nesta fase do saque: Foot-back e Foot-up. Neste Capítulo, apenas descreverei as técnicas, e em Capítulo à parte, discutiremos as vantagens e desvantagens de cada uma.

Foot-back: técnica que consiste na manutenção da distância entre os pés durante a execução do saque;
Foot-up: técnica que consiste na aproximação entre os pés durante a execução do saque.







Aguardo os comentários, que podem conter dúvidas, críticas, sugestões...

Forte Abraço, e até o próximo post...
         

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ludgero finaliza Revisão Científica de Livro da USTA


Após 8 meses e algumas horas de sono a menos, finalizei a revisão científica do Livro "Playing Tennis After 50", publicado pela Editora Human Kinetics. Fui convidado pela Editora Manole para realizar este trabalho, de 224 páginas. O Livro trata principalmente das táticas utilizadas no tênis, desde as básicas até as avançadas. Demonstra como ajustar o posicionamento em quadra e assim adaptar-se aos jogos de simples, duplas e duplas mistas. O livro também fornece dicas sobre evitar dores e lesões através de alongamentos e exercícios de fortalecimento. Aborda as informações sobre equipamentos e dicas sobre como encontrar clubes e parceiros de jogo, e assim fazer do tênis uma atividade para toda a vida!

Abraços a Todos.

sábado, 28 de agosto de 2010

Novo Desafio Profissional: Coordenação do CEREQ, no Clube Esportivo HELVETIA.


Há três meses fui convidado pelo Sr. Marcos Cardone, diretor de tênis do Clube Esportivo Helvetia, a assumir o cargo de Coordenador Técnico do CEREQ (Centro Especializado em Rendimento Esportivo e Qualidade de Vida). Aceitei o convite, e após algumas reuniões, definimos dois objetivos inovadores em relação ao cenário do tênis competitivo infanto-juvenil:

Descentralização - dividir as ações referentes aos Métodos de Treinamento entre os profissionais que integram a Equipe Técnica;

Interdisciplinariedade - administrar a relação entre as diferentes disciplinas que compõem o tênis.

A seguir, justifico cada um desses objetivos:

DESCENTRALIZAÇÃO - Após 20 anos treinando tenistas infanto-juvenis, percebo que muitos talentos são descartados por culpa de uma postura centralizadora que muitos técnicos assumem. Não seria exagero dizer que aproximadamente 80% dos técnicos que conheci em clubes e academias agem desta forma. Criam uma relação de posse com "seus tenistas", e acabam por inibir o desenvolvimento destes. Julgo esta postura extremamente egoísta, ainda mais se levarmos em conta que o técnico já tem sua profissão definida, o tenista infanto-juvenil não, está buscando. Defendo uma abordagem desenvolvimentista, onde o tenista tenha condições de desenvolver suas potencialidades através da diversidade e complexidade de estímulos, ao invés de ficar fechado dentro de um método engessado, com poucas variações.

É função do técnico viabilizar as condições para que o tenista se desenvolva através de estímulos variados. Exemplifico algumas ações que facilitam este desenvolvimento:

Parceiros de Treino - é muito importante treinar com parceiros variados. Desta forma, cada um apresenta um estilo de jogo, alguns batem com mais topspin, outros pressionam subindo à rede, e também terá aquele que só vai passar a bola para o outro lado da rede e esperar você errar. Seu poder de adaptação diante de várias situações será maior. O tenista aprenderá a resolver problemas táticos com maior rapidez.

Categoria Adequada - percebo que alguns técnicos mantêm seus tenistas por muito tempo em categorias inferiores, apenas para continuar a ganhar torneios e se manter entre os melhores do ranking. Em todas as áreas precisamos de estímulos mais desafiadores para buscar um nível técnico mais alto.

Programa Intensivo de Treinamento nas Férias - também é importante ouvir outras opiniões e vivenciar novas experiências. O período de férias significa uma boa oportunidade para isso, participando de programas intensivos de treinamento (clínicas). Optar por um programa onde ocorre um intercâmbio entre tenistas e técnicos pode trazer muitos benefícios ao tenista. Nenhum técnico sabe tudo sobre todos os aspectos que envolvem o tênis. Fazer novas amizades, sair da rotina, lidar com novas situações... são estímulos essenciais para o desenvolvimento técnico e pessoal do tenista.



  EXEMPLO NEGATIVO - quando sou contratado para fazer uma Análise Biomecânica em Vídeo, solicito a presença do técnico para acompanhar o tenista. Esta presença é muito importante por 2 motivos:

  • o técnico já conhece o tenista e então poderá opinar nas decisões sobre as mudanças técnicas;
  • o técnico é quem dará continuidade ao trabalho após a Análise. 
Porém, não foram raras as vezes em que o técnico, quando soube da Análise, proibiu o tenista de realizá-la, mesmo sem ter conhecimento sobre os procedimentos. Resultado: na maioria das vezes o tenista acabou realizando a Análise mesmo sem a presença do técnico.


EXEMPLO POSITIVO - Por outro lado, gostaria de citar um exemplo de ação descentralizadora e portanto muito importante para o desenvolvimento dos tenistas. Tenho incentivado o intercâmbio entre tenistas e técnicos na Academia Slice Tennis. Como resultado prático desta ação, cito alguns  tenista/técnicos/instituição que treinaram aqui em Alphaville nos últimos meses:

  • Thomaz Bellucci / João Zwetsch (Koch Tavares);
  • Thomaz Takemoto / Batata (Koch Tavares);
  • Juliana Bacelar / Gonçalo Fischer (Instituto Tênis);
  • João Pedro Leme / Ricardo Pereira (particular);
  • Nathália Rossi / Ludgero Braga Neto (Slice Tennis);
  • Gabriel Wanderley / Marcelo Fonseca (particular);
  • Renato Santos / Bolha (THK);
  • Pietro Jordão / Ludgero Braga Neto (Clube Helvetia);
  • Alexandre Tsuchiya / Wilson Bosso (particular); 
  • entre outros.
INTERDISCIPLINARIEDADE - já faz algum tempo que o termo multidisciplinar é utilizado nos centros de treinamento. Este termo procura denotar que o treinamento é abordado sob vários aspectos inerentes ao tênis: técnica, tática, condicionamento físico, fisioterapia, nutrição, medicina esportiva, entre outros. Porém, entendo que a questão crucial é a interligação entre estas disciplinas, o que é chamado de interdisciplinariedade. E este é o nosso grande desafio!!! Na prática, o que noto é apenas uma pequena comunicação entre o técnico e o preparador físico. Interdisciplinariedade é muito mais que isso. Exige um árduo trabalho de interligação, envolvendo todos os profissionais, através de reuniões periódicas. Um exemplo: o nutricionista deve saber que em determinado período o tenista vai trabalhar resistência durante os treinos físicos, desta forma poderá prescrever uma dieta com um maior aporte de carboidratos.
Tenho discutido este tema com Rafael Pacharoni, técnico da Equipe Competitiva Infanto-juvenil do Esporte Clube Pinheiros e grande crítico dos métodos de treinamento utilizados no tênis brasileiro. Compartilhamos da mesma opinião em relação à necessidade desta quebra de paradigma. Resumindo: a multidisciplinariedade não será útil ao tenista se não houver uma eficiente  interdisciplinariedade.


ESTRUTURA FÍSICA - o clube Helvetia possui 6 quadras de saibro, fitness, piscina, espaço para fisioterapia, sala de análise biomecânica em vídeo e sala de estudos. 

EQUIPE DE PROFISSIONAIS DO CEREQ - para colocarmos em prática os conceitos de Multidisciplinariedade e Interdisciplinariedade, contamos com a seguinte equipe:
  •  Maurício Fonseca - Supervisor Geral e Preparação Física;
  •  Ivan Maziero - Preparação Física Preventiva;
  •  André Watanabe - Head Coach;
  •  Gilmar Mattos - Técnico;
  •  Marcelo Nascimento - Técnico;
  •  Marcelo Pezão- Fisioterapeuta; 
  •  Rodrigo Falcão - Psicólogo;
  •  Dr. Rogério Teixeira - Médico;
  •  Camila Homsi - Nutricionista;
  •  Célia Lamarca - Tutoria Pedagógica e Reforço Escolar.
PARCERIA SLICE TENNIS / HELVETIA - a primeira ação efetiva para fortalecer os conceitos de Descentralização e Interdisciplinariedade foi estabelecer uma parceria entre a Academia Slice Tennis (Alphaville) e o Clube Helvetia. 

Esta parceria permite uma saudável troca de informações entre os profissionais e de experiências entre os tenistas, além de complementar a estrutura funcional de cada integrante. Alguns exemplos:
  • os tenistas que treinam no Helvetia poderão utilizar as quadras da Slice Tennis. As quadras rápidas em véspera de competições neste piso e as quadras cobertas em dias de chuva;
  • os tenistas que treinam na Slice Tennis poderão utilizar os serviços de Medicina Esportiva e Fisioterapia prestados pelo NEO (Núcleo de Estudos em Esporte e Ortopedia), coordenado pelo Dr. Rogério Teixeira;
  • o calendário de torneios já está unificado. Isso quer dizer que em todas as competições (FPT, CBT, COSAT e ITF) os tenistas e técnicos estarão interagindo e se ajudando.
ENCONTROS ENTRE TENISTAS E TÉCNICOS - periodicamente serão realizados encontros entre os tenistas e integrantes da Equipe Técnica. Semana passada já ocorreu o 1o encontro entre os tenistas. Foi realizado no Clube Helvetia, e serviu como preparação para a Copa Guga Kuerten, realizada em Florianópolis.

1o Encontro de Tenistas - Slice Tennis / Helvetia - 20/Agosto/2010
Jogos preparatórios para Copa Guga Kuerten

Também já está agendado o 1o Encontro de Treinadores. Será realizado na Slice Tennis, no dia 04 de Setembro. 

42 TENISTAS INTEGRANTES - Abaixo, segue a relação de todos os tenistas que integram a Equipe Slice Tennis/Helvetia:


Em breve escreverei sobre os resultados da Equipe no mês de Agosto.

Abraço a todos...